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Comunicação Ética, Cultura de Paz e Sustentabilidade

Publicado em 7/11/2008


Regina Migliori
(Publicado no Portal “Nós da Comunicação” em novembro/2008)
Algumas pessoas caem na armadilha de querer que o mundo seja de uma única maneira. Dividem-se em certos e errados, e continuam discutindo ao longo da vida, cada um achando que tem mais razão do que o outro, esquecendo que agindo assim, podem até pregar a paz, mas na realidade semeiam e praticam a guerra.
Muita gente já discutiu, muita guerra já aconteceu, muitos projetos fracassaram, porque alguém, em algum lugar, queria fazer do mundo um grande “porque sim”, onde tudo funcionasse por conta do seu modelo desejado, acreditando estar certo e o resto do mundo errado. Mas a vida não é bem assim. Ela se mantém em função da diversidade. As diferenças são a matéria prima da harmonia que sustenta a vida. A diversidade é manifestação da paz, quando percebida e praticada a partir de parâmetros harmônicos de relacionamento.
A paz, entendida com um valor humano é ponto de partida, e não uma meta a ser atingida. Toda vez que colocamos um valor como um objetivo e não como a raiz das ações,  corremos o risco de cair na armadilha de que os fins justificam os meios. É assim que jogamos uma bomba no país vizinho, antes que ele jogue uma bomba em nós, justificando que fazemos isso para atingir a paz.
Paz não é ponto de chegada, meta a ser atingida. É ponto de partida, é o valor universal onde enraízo o respeito pelas diferenças. Paz não é ausência de conflitos, é administração das diferenças, a inteligência da harmonia em ação. Enraizando nossas ações neste respeito pela diversidade é que se torna possível construir uma cultura de paz, baseada em padrões harmônicos de resultado, onde a diversidade é percebida como a preciosa matéria prima da harmonia e da sustentação da vida. Tal qual uma orquestra, onde os diferentes tons, ritmos, intensidades se aproximam e formam um todo maravilhosamente indivisível.
É a força da diversidade que faz cada ser humano buscar seu próprio caminho de desenvolvimento. Podemos aprender a compreendê-lo, mostrar-lhe uma possível trajetória. Porém, a escolha em adotar o caminho apontado, optar por outro, ou ficar estancado à beira da estrada - nisso ninguém pode interferir - estas decisões são da responsabilidade de cada um.
Portanto, não pretendo influenciar as pessoas a fazerem algo pré-definido, mas gostaria de despertar o desejo de mudar. Alimentar a crença na possibilidade de uma atuação que realmente nos conduza a outros resultados. Talvez mais felizes. Não esperemos que o mundo faça isso por nós. Não esperemos que o mundo nos compreenda se não nos fizermos entender. Viver é ter a humildade de explicar quando necessário, e a grandeza de compreender sempre. Esta é a essência da comunicação. Para isso, não podemos trancar nosso coração, nem obstruir nossas inteligências.
Se algo muda em nós, tudo à nossa volta muda também. Nossa vida está vinculada a uma estrutura de conexões estabelecida em níveis que nos integram a nós mesmos, ao nosso universo de ação, e à repercussão da nossa atuação, cujos impactos são muito mais amplos do que temos identificado.
A interação entre as pessoas, as relações com o mundo colocam movimento em situações que parecem estagnadas. Certezas internas que podem ser revistas. Situações externas que se modificam, não só como as certezas individuais determinariam. Muitas vezes, uma dureza interna nos faz muito infelizes.
Não somos uma realidade dura como uma pedra. E não vale à pena tentar ser. Basta perceber que não somos os mesmos todos os dias, e não nos fecharmos na dureza das nossas convicções. Não há, nem pode haver diagnósticos definitivos sobre nós mesmos ou sobre a realidade. A vida flui. Deste movimento surgem as oportunidades para alterar nosso posicionamento, libertando-se de modelos antigos e pouco viáveis, abrindo espaço em nossas mentes, atividades e relacionamentos para a produção de modos de vida mais viáveis,  benéficos e sustentáveis.
 
Regina de Fátima Migliori é pioneira no Brasil na execução de projetos para diferentes áreas de atividade centrados em Ética, Valores Universais e Sustentabilidade; é Diretora do Instituto Migliori; Consultora em Cultura de Paz da UNESCO; membro fundador do Instituto de Estudos do Futuro; coordenou o MBA em Gestão com foco em Ética, Valores e Sustentabilidade na Fundação Getúlio Vargas, e o Programa de Pós-Graduação em Ética, Valores e Sustentabilidade em outras instituições; tem atuado como consultora para governos, empresas e ONGs; é autora de livros, CD-Rom, e programas de e-learning.


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