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Ética e valores na comunicação: os desafios do século XXI

Publicado em 19/8/2008


(publicado na revista Organicon da ECA/USP)
Regina Migliori
Depois de termos dominado os ventos, as ondas, as marés, a gravidade,
vamos explorar as energias do amor. Nessa ocasião, pela segunda vez
na história do mundo, o homem descobrirá o fogo."
Teilhard Chardin
 
O mundo é um fenômeno criado internamente. Recebemos os estímulos pelos sentidos, processamos esses dados sensoriais por intermédio da mente, e assim criamos o que cada um de nós vive como sendo “o mundo”. Por esse motivo, ele difere profundamente para cada um de nós. A qualidade do mundo que vivemos depende da qualidade dos dados que recebemos e da habilidade que temos de processá-los e usá-los da melhor forma.
A partir de um esforço coletivo, criamos alguns parâmetros comuns, e assim nos entendemos uns com os outros.  As pessoas abordam a vida a partir da perspectiva de informações conhecidas e armazenadas. Quanto melhor operarmos nosso sistema de percepção e o processamento de dados, mais acurada será a nossa percepção de mundo. Mas quais são esses sistemas internos? Como funcionam? Como interagem com a realidade externa?
Quanto mais nos aprofundarmos na capacidade de criar uma compreensão sobre o mundo e sobre nós mesmos, mais chances temos de interagir com ele de maneira mais eficaz para nós, para aqueles com quem convivemos, e para tudo e todos que de alguma forma são impactados pelos resultados das nossas ações.
As recentes descobertas da neurociência estão virando o conceito de comunicação de cabeça para baixo. Surge um novo patamar de responsabilidade, tão impactante que chega a ser assustador.  A comunicação só conseguirá dar um salto substancial em eficácia e sustentabilidade quando adquirir uma nova compreensão dos processos humanos.
Há uma nova tendência ganhando impulso no mundo. Ela surge na esteira do desejo de criar novas formas de comunicação, novos modelos de negócio, novos tipos de relacionamento, novas maneiras de promover o desenvolvimento humano, um outro jeito de ser e de viver. Isso exige uma nova inteligência. Não se trata de sermos mais bonzinhos com a vida. Trata-se de desenvolver uma inteligência benéfica. Não dá mais para pensar da forma como estávamos acostumados a estruturar nosso pensamento, um modo de ver o mundo que não está apto a construir respostas para os atuais desafios
Em um momento como este, a ação de comunicação, apesar de não construir todas as respostas, talvez possa abrir as mentes e os corações para novas maneiras de ser, ou pelo menos para novas perguntas a respeito do que realmente é relevante.
Ao longo da última década temos vivido esta revolução sob o radar de uma mídia glorificada pela internet, pelo “e-tudo”, pela mais rápida sensação de mudança que este planeta já viu. Uma revolução de objetivo e significado.
O ritmo alucinante das conquistas tecnológicas nos levou a crer que tudo é possível ou pior, que tudo é necessário para a vida ser excitante. A velocidade é uma droga incrível. Pergunte a qualquer jovem recém-formado que ingressa no mercado de trabalho tendo que obrigatoriamente chegar na frente, ser o melhor, o mais competente, o mais antenado. Ou pergunte ao diretor executivo de qualquer organização que, desesperadamente precisa ter a próxima grande sacada, desenvolver a tecnologia mais inovadora, ou o produto que vai revolucionar o mercado.
Há pessoas plenamente convencidas de que quanto mais, e mais rápido, melhor. E isso tornou-se imperativo. Mas que combustível está nos movendo com esta velocidade toda? Somos movidos pelo entusiasmo interior, pela crença no caminho trilhado, pela força dos nossos relacionamentos, ou somos empurrados pelo medo de ficar para trás, pelo monte de lixo em que se transforma o que poderia ter sido e que não foi?
Falar em equilíbrio virou coisa maçante. Ninguém tem tempo. Parece que ninguém se importa com o fato de que nosso corpo está sofrendo com a incrível avalanche de informações produzidas ao longo da última década; com o fato de que este volume de informação dobra a cada doze ou dezoito meses, em comparação com os 36 meses em 1995, ou os vinte anos em 1954. Parece que ninguém está se importando com a maioria das pessoas, obrigadas a processar centenas de informações diariamente, sem contar o seu trabalho ou atividade  regular!!!
Mais ainda, parece que apesar de toda esta globalização da informação, da velocidade dos fluxos de comunicação, da variedade de mecanismos e instrumentos de acesso, de busca de transparência, a violência, o isolamento, a desconfiança, aumentam de forma alarmante.
Estamos descobrindo que só velocidade não basta. Não faz sentido seguir rápido sem ter noção do caminho. Também não basta saber onde chegar, sem antever como estaremos caso cheguemos lá. Aí os arautos do infortúnio dirão: e há tempo pra isso? Talvez falte aprender a viver na velocidade do equilíbrio.
O planeta levou vários milhões de anos para atingir o número de 3 bilhões de habitantes, e menos de cinqüenta anos para acrescentar mais 3 bilhões. Ao mesmo tempo, a capacidade instalada de destruição da vida, do planeta, do vizinho, de qualquer um, nunca foi tão grande.
Será que ninguém está se importando? É evidente que muitos estão. Mas não será somente com um conjunto de preocupações ou de boas intenções que mudaremos o mundo. Isso é essencial, mas não é suficiente.
Já temos razoável compreensão sobre o quanto a comunicação reflete a postura coletiva e as atitudes das pessoas. Mas a era da “massa” acabou. As pessoas querem receber atenção individual, soluções personalizadas, projetos de desenvolvimento exclusivos. A época do tamanho único para qualquer coisa já passou.
Hoje sabemos que, de forma impressionantemente veloz, a comunicação além de refletir, ao mesmo tempo formata a postura coletiva e as atitudes individuais. A revolução que vem ocorrendo na comunicação decorre da descoberta que isso acontece não só sob a ótica da informação, do conhecimento, ou do comportamento humano. A neurociência vem nos mostrando uma nova dimensão de responsabilidade: a comunicação formata cérebros, cria redes neurais, provoca alterações anatômicas.
Além do conteúdo da informação e dos processos de interação e relacionamento, o profissional de comunicação passa também a contribuir para a formatação de circuitos neurais no nosso cérebro, definindo o tipo de processamento mental a ser realizado.
Em setembro de 1991, a revista Fortune trazia em sua capa uma imagem dos lados esquerdo e direito do cérebro. A manchete era “O Poder do Cérebro”. Foi a primeira vez que uma revista com foco em negócios usou o cérebro como capa. Foi uma profecia.
As pesquisas realizadas durante a década de 90 afetaram profundamente o que conhecemos sobre a inteligência humana. Temos neurônios distribuídos por todo o corpo. Somos um sistema inteligente onde o cérebro se inclui, mas nem sempre no comando. Hoje se fala em inteligência do coração, não mais no sentido poético e simbólico, mas como um sistema identificado sob o ponto de vista cardiovascular, neurológico, energético e eletromagnético, relacionando-se com o cérebro na produção e processamento das nossa emoções e pensamentos.
Democratizamos a inteligência. Deslocamos sua sede exclusiva, localizada no cérebro, para um sistema inteligente, com neurônios distribuídos por todo o corpo, realizando sinapses, gerando impulsos elétricos, e com isso produzindo um campo eletromagnético.
Pesquisas recentes também identificaram diferentes tipos de neurônios, todos eles com a mesma capacidade de produzir sinapses, a estrutura do nosso pensamento. Isso se tornou possível em função da evolução dos aplicativos da física, em tecnologias não invasivas. Porque até bem pouco tempo atrás, para se estudar o cérebro era preciso, literalmente, abrir a cabeça da criatura. Cerrar o crânio e chegar lá. Obviamente desvelando um cérebro morto e completamente inativo.
A grande evolução promovida pela física foi tornar possível a observação do cérebro e de todo o nosso sistema nervoso em funcionamento. Hoje fotografamos nossas sinapses. E pasmem, quando uma região do cérebro é ativada, ela se ilumina! Podemos dizer que somos seres de luz, seres iluminados!
A sinapse é um fenômeno curioso. Dois neurônios não se tocam. Entre eles há uma distância preenchida pro substâncias químicas, que ao se combinarem geram um impulso elétrico, que salta de um neurônio para outro, quando ativados por um pensamento. Este impulso elétrico percorre todo neurônio vizinho até atingir sua outra extremidade, e novamente se lançar em um outro salto, dando continuidade a esta dinâmica. Para produzir um pensamento são necessários milhares de neurônios produzindo impulsos elétricos encadeados em um circuito, criando um verdadeiro facho de luz iluminando nosso cérebro.
Se for um pensamento ocasional, este caminho talvez não seja novamente percorrido. Mas se esta mesma trajetória se repetir, provocada pela repetição do mesmo tipo de informação, surge aí uma estrada pavimentada, um circuito que se imprime no cérebro causando uma alteração anatômica.
É assim que se instala uma nova rede neural, um caminho que fica aí para o resto da vida, pavimentado e disponível, aguardando para ser percorrido pelos impulsos elétricos das sinapses, cada vez que qualquer informação se apresentar para ser processada em nossos pensamentos. Isso ocorre porque o sistema nervoso dá preferência aos circuitos mais estimulados, e os deixa mais disponíveis.
Há pessoas que têm um braço amputado e continuam sentindo o membro inexistente. Todas as sensações continuam existindo: dor, cócegas, frio, calor. O braço não existe mais, mas as redes neurais que processavam essas informações continuam lá, anatomicamente construídas entre as pregas do tecido do nosso cérebro, ativando o mesmo conjunto de neurônios que se mantêm realizando as mesmas sinapses.
A qualidade das redes neurais impacta na forma como estruturamos nossos pensamentos. Estamos identificando não só o que pensamos, mas também como pensamos.
Uma rede neural se forma a partir de três etapas: atenção, impressão, e evocação. Quando algo chama a nossa atenção, registramos essa informação. Há muita coisa que passa por nós e não registramos. Esta é uma competência exigida do profissional de comunicação: que ele saiba o que fazer para chamar a atenção das pessoas sobre o que quer comunicar.
Feito o registro, passa-se para a fase da impressão do circuito neural. Isso ocorre em função da fixação. Repete-se a mensagem até que haja algum tipo de retenção. Neste momento a rede neural se instala. Aquele circuito está impresso no cérebro de forma irreversível, disponível para ser ativado e processar outros pensamentos, todos eles associados ao mesmo tipo de memória, de evocação que este circuito inicial provoca.
Esta rede nunca mais desaparece, a não ser que esta parte do cérebro seja destruída. Talvez, com muito esforço, tenha seu uso desviado para outro circuito, caso este seja ativado com a mesma intensidade que o anterior para executar aquele tipo de processamento mental. Mas é difícil. É só observar o tamanho do empenho e o esforço de pessoas que por força de algum tipo de acidente ou doença causadora de lesão no cérebro, tenham que começar tudo de novo, ou seja, construir novas redes neurais em substituição às anteriores.
Diante destes fenômenos, fica clara a nova dimensão de responsabilidade dos comunicadores: o impacto causado nas nossas inteligências com a impressão de redes neurais onde acontece o processamento mental. Os processos de comunicação vêm estimulando que tipo de inteligência? O bombardeio de informações que somos obrigados a processar todos os dias está formatando que tipo de circuitos em nossos cérebros? Quais as alterações anatômicas que as ações de comunicação diariamente estão provocando? São redes neurais de caráter harmônico, ou violentas, amedrontadas e desesperançadas?
Cabe aqui uma importante questão: que tipo de ser humano a comunicação está ajudando a produzir?  É um ser inteligente, criativo, transformador e benéfico?
Mas as novas responsabilidades não se esgotam por aqui. Outras noções também se transformaram.
Há 300 anos um filósofo anunciou: “penso, logo existo”. E isso bastava. No século XVII, pensar era sinônimo de raciocinar.  Esta noção vingou até muito pouco tempo. Porém,  no século XXI, o pensar é compreendido como uma atividade estimulada por múltiplas inteligências, não só o raciocínio. Hoje a frase é outra: existo, e por isso penso, sinto, experimento e ainda imagino um infinito de possibilidades.
Se no século XVII era que nossa existência estivesse vinculada a uma relação exclusivamente racional com a vida. Hoje ela tem um significado múltiplo.
 
Trazemos em nós diferentes inteligências, não só a racional. Todas elas produzem conhecimento e lidam com a riqueza de experiências que a vida oferece. A relação com a vida se ampliou. Tudo em nós é vivo e inteligente.
 
Alargando-se a noção de inteligência, amplia-se também a forma como vivemos, trabalhamos, nos relacionamos. Amplia-se a capacidade de manter uma atitude aberta, de respeito mútuo, uma postura de reconhecimento em que não há lugar para espaços culturais privilegiados, onde seja permitido julgar ou hierarquizar como mais correto ou mais verdadeiro qualquer sistema de relação com a realidade. Isso altera em profundidade a qualidade dos nossos relacionamentos.
 
Some-se a isso uma visão amplificada sobre a noção de mente. Os impulsos elétricos das sinapses produzem um campo eletromagnético, o mesmo captado pelos instrumentos que vêm fotografando nosso cérebro em funcionamento. Há quem chame este campo de mente, a resultante do conjunto de idéias, pensamentos, emoções e sentimentos que cada um de nós vai produzindo ao longo da vida.
Esta noção de campo diferenciou o cérebro da mente. Mais ainda, fez surgir a noção de mente não localizada.
Houve um tempo em que mente e cérebro eram a mesma coisa. Ela se localizava no cérebro, e correspondia ao que chamávamos de intelecto. A identificação das múltiplas inteligências, a localização dos diferentes tipos de neurônios distribuídos por todo o corpo, o mapeamento das sinapses, das redes neurais, do fluxo de energia produzido pelos nossos pensamentos, tudo isso alterou profundamente a noção de mente.
A mente deixou de estar identificada com o cérebro e passou a ser compreendida como um fenômeno sistêmico que permeia todo o corpo. Além disso, por ser de natureza eletromagnética, intangível, caracterizada com um campo, vai além de nós, ou seja, não se restringe aos limites impostos pela concretude da nossa dimensão biológica.
Este é o campo que se estabelece entre as pessoas durante seus relacionamentos. Um campo que tem significação e nos afeta permanentemente.
Ao conhecer estes mecanismos, não podemos nos alienar das responsabilidades pelos impactos produzidos pelas ações de comunicação e pelos relacionamentos que estabelecemos. Afetamos a anatomia do cérebro e a formatação do campo mental. Não é pouca coisa.
Estamos diante do mesmo tipo de fenômeno que resultou na discussão ambiental.  Há 20 anos, ninguém estava deliberadamente destruindo o meio ambiente, e se estivesse não causava grande preocupação. Hoje, quem não tiver esta consciência, e não lidar com este novo conjunto de responsabilidades de forma adequada, pode até ser enquadrado em ações criminais.
Ampliou-se a dinâmica ética da comunicação. Ser ético não é cumprir regras e regulamentos. Isso é lei. Às vezes, ser ético é contrariar uma lei injusta, um conjunto de regras inadequado. É a consciência ética que cria as leis, ou então não se tem justiça.
Ética também não é moral, o conjunto de costumes típico de uma época, de uma cultura, de um povo, ou de um grupo qualquer. Moral corresponde ao jeito de ser e fazer alguma coisa, validado em determinado lugar e época. Uma ação da cultura sobre as pessoas. É assim que há cerca de 30 anos, as grávidas não podiam expor suas barrigas na praia, a ponto de uma atriz chamada Leila Diniz quase ser presa no Rio de Janeiro por atentado ao pudor. Hoje, as grávidas estão felicíssimas com suas barrigas expostas, sem nenhum contratempo. Mudou a praia, a barriga, o biquine? Não, mudaram os costumes. Barriga de grávida, agora pode. Enquanto que outras, com alguns centímetros a mais sequer podem existir, quanto mais serem expostas! Sinal dos tempos.
Ética é outra coisa. É o resultado do diálogo de uma pessoa com a sua consciência, de onde ela retira suas contribuições para o bem comum. Uma ação ética é universal, reconhecida como benéfica por qualquer pessoa.
Aqui reside a diferença entre o bom e o bem. Bom corresponde àquilo que eu gosto. Posso gostar de muita coisa que os outros não gostam, sem que ninguém me incomode. Isso é um direito, é democracia. Mas quando alguém resolve impor o que gosta, o que acha certo para os demais, isso é autoritarismo. Porque nem sempre o que é bom pra mim é bom para os outros.
O bom tem um componente auto-centrado, quase egoísta. Estamos cansados de ver gente “boazinha”, fazendo boas ações totalmente ineficazes. Por uma simples razão, o bonzinho não vê o outro na sua integridade. Só enxerga a si mesmo, aos seus próprios pensamentos, de onde avalia tudo o que o outro precisa. Ser bonzinho é ser intolerante e autoritário.
Ser ético e benéfico é outra coisa. É respeitar as diferenças. É lidar com o patamar universal do bem comum, onde todos se incluem. Muito próximo daquilo que modernamente vem sendo chamado de sustentabilidade: ser suficientemente benéfico para viver sem causar impactos destrutivos entre os que vivem hoje e os que virão no futuro. É a visão do bem comum no século XXI.
Uma comunicação ética e sustentável provoca impactos benéficos com os conteúdos que difunde, os mecanismos e procedimentos que utiliza, a qualidade das relações que estimula, e as redes neurais que anatomicamente instala nas pessoas.
Torna-se fundamental manter o foco em uma estrutura de valores humanos universais onde a comunicação se enraíze. Valores são pontos de partida, não são pontos de chegada, meta a ser atingida. Ninguém será 50% mais ético no próximo ano. Também não esperemos que o mundo mude, e ofereça condições mais adequadas para praticarmos valores. Esta também é uma meta inexistente, porque os valores são força propulsora.
O mundo não irá mudar sozinho, sem a participação das nossas consciências e competências. Só será melhor se formos suficientemente éticos, benéficos, inteligentes e competentes para realizar as transformações que a vida está exigindo.
O grande desafio deixou de ser somente o de agir de forma ética e sustentável. Só vamos conseguir sobreviver, se nos tornarmos seres éticos e sustentáveis.
 


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