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Humanos e sustentáveis

Publicado em 7/7/2008


Regina Migliori
 
Recentemente um estudo com as baleias orca mostrou sua capacidade de criar e aplicar com sucesso diferentes estratégias para atingir seus objetivos. Ao encontrar um cardume de atuns, as orcas fazem com que os peixes se agrupem com muita proximidade, formando um bloco coeso, para daí desferir golpes certeiros com a cauda, paralisando os peixes que se tornam presa fácil.
 
Quando perseguem pingüins, sabendo que eles nadam com maior velocidade em águas profundas, as orcas os conduzem para perto da praia, esperando que ali percam velocidade e fiquem ao seu alcance.
 
Além disso, a orca também apresenta a capacidade de lidar com riscos calculados: sabendo que pode ficar encalhada na areia da praia, planeja seu ataque aos pinguins com precisão lidando com múltiplas variáveis: profundidade do mar, distância da praia, velocidade (a sua e a dos pingüins), e o risco de encalhar.
 
Como se não bastasse, as orcas educam pelo exemplo, mantendo seus filhotes por perto durante alguns anos. E para nosso espanto, atuam quase que permanentemente em grupos, com uma visível distribuição de responsabilidades em uma equipe de caráter participativo.
 
Digamos que elas sabem lidar de forma sistêmica com um conjunto razoável de variáveis simultâneas, conseguem manter a equipe atuando de forma participativa, mantêm o foco, criam estratégias, monitoram as diversas etapas do processo de execução, e obtêm sucesso atingindo objetivos comuns. Além disso, a orca também sabe como preparar sucessores, distribuir responsabilidades, manter o espírito de equipe, ser flexível e ágil para se adaptar a novas e inesperadas circunstâncias.
 
Este conjunto de competências faria sucesso entre líderes e gestores tanto na iniciativa privada como na gestão pública, e são muito similares ao conteúdo de inúmeros programas educativos que pretendem estimular lideranças.
 
Pensar e agir de forma estratégica, lidar com situações inesperadas, interagir com riscos calculados, manter a equipe coesa e ativa em torno de objetivos comuns, monitorar processos, ter velocidade, ser flexível, agir no momento adequado, compartilhar resultados. Estas e muitas outras características alardeadas como indispensáveis às lideranças contemporâneas são colocadas em cheque como exclusividades humanas. Se nos diferenciamos de outros animais em alguma coisa, não são nestes aspectos. Então, o que nos caracteriza como humanos?
 
Não basta nos definirmos como seres inteligentes, criativos e transformadores da realidade – estas são características que compartilhamos com outras formas de vida na Terra.
 
O que nos faz humanos é a possibilidade de sermos benéficos, de termos domínio não só sobre a estratégia e a noção de resultado, mas também sobre a responsabilidade na repercussão de nossos atos.
 
Até onde foi possível perceber, somos a única forma de vida que tem a noção de bem comum: bem do outro, de nós mesmos, e de todas as demais formas de vida no planeta. Esta noção originou o que na atualidade chamamos de sustentabilidade, um compromisso com o bem comum no presente e no futuro.
 
O que nos caracteriza como humanos é o conjunto de valores que orienta o exercício ético das nossas inteligências, a serviço do bem comum. É o potencial benéfico que agrega consciência às nossas competências, e se praticado, pode nos tornar sustentáveis.
 


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