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Sustentabilidade e a mudança do “mind set”

Publicado em 20/6/2009


Sustentabilidade e a mudança do “mind set”:  uma crônica da comunicação

Regina Migliori

Há quem acredite que é possível motivar as pessoas para a realização de ações transformadoras e sustentáveis, somente informando sobre os dilemas da atualidade:  crescimento dos índices de desmatamento, aquecimento global, confrontos entre culturas diferentes, crises éticas na política e na economia, gaps de competência,  dificuldades do mercado, necessidade de crescimento. Notícias velhas, conhecidas de todos nós. Será que assim se alavanca a mudança?

Como se diz na Bahia: talvez sim, talvez não, mas com certeza é pouco...

Difundir dilemas compromete o passado, mas necessariamente não inova no futuro. O problema pode atingir tamanha dimensão, que até assusta. Brota o medo que paralisa. Ou então vem a crença na falta de solução. Floresce a inércia, fruto da desesperança.  Mais ainda, se o entendimento é de que é assim que as coisas funcionam, não tem outro jeito, só resta seguir desta maneira. Cresce a violência e a destruição.

Pior ainda se tudo resultar em faz de conta. Todos repentinamente plugados em rede, difundindo suas identidades sustentáveis: socialmente atuantes, ambientalmente corretos, e economicamente lucrativos. Isso pode acontecer, não duvide. Mas será que é assim tão fácil e instantâneo?

Este cenário faz muita gente duvidar que é por aí que as coisas mudam. Se mudar, será por obra do acaso. Pra não dizer da catástrofe.  Ou então por força do destino, ou da providência divina. Neste caso, só restaria rezar.

Rezar muito é preciso. Consultar a tudo e a todos, nesta e em outras dimensões, mas sem esquecer que cada um decide por si, é responsável pelo que faz. Dá aflição ficar só esperando, assistindo aos desafios sem atuar. Mas com tantas demandas e informações, fica difícil decidir, priorizar.  Acompanhe as notícias. Mas não se deixe contagiar. Queira não! Já basta a poluição do ar, não se envolva com poluição de idéias. Notícia ruim pega. Mas notícia boa pega também.

Neurocientistas e psicólogos ensinam que, quando a gente repete muito uma mesma idéia, ela “pega”.  O comunicador sabe disso. Atenção, repetição, registro, e virou rede neural. Caminho no cérebro por onde as sinapses desabrocham em idéias e sentimentos.  Cada pessoa tem seu próprio “mind set”, modelado por suas intenções pessoais e suas experiências no mundo. Um jeito de pensar e sentir  que direciona sua atuação.

Os especialistas também dizem que há um “mind set” coletivo, uma teia compartilhada que alinha sentimentos, idéias e ações. Pessoas se comunicam, redes de relacionamento se estruturam, grupos se identificam e passam a atuar juntos.

E pensar que tudo começa com uma informação comunicada, que vai, vai, vai e vira o tal “mind set”. Ninguém duvide que comunicação é estratégia de transformação. Mas, veja lá o que se comunica.

Não podem faltar boas idéias no mercado. Daquelas que fortalecem novas redes neurais, caminhos mentais que não reforcem o medo, a inércia, a desesperança e a mesmice. Idéias que entusiasmem, sustentem redes transformadoras, contagiando pela convicção, coerência e convergência, resultando em ações inteligentes com impactos benéficos.

Porém, com tal avalanche de demandas e problemas, está ficando difícil abrir espaço para pensar. E sem boas idéias, vai-se acreditar em quê? Só naquilo que se diz por aí.

Pode ser diferente.  Não dá pra comunicar o que ainda não existe, o que reside no futuro. Mas é possível estimular o novo. Não dá pra ignorar os dilemas atuais, mas é possível não ser repetitivo, agourento, ousar ser criativo e feliz. Não dá para simplesmente deixar de fazer o que o chefe manda, mas é possível perguntar, sugerir, influenciar. Não dá para ganhar prêmio em categorias que ainda não existem, mas é possível criar um futuro sustentável fora das categorias existentes. Não é preciso se arriscar sozinho, pode-se sair na frente e reunir aliados.

Um lembrete: para conseguir algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez.  O mundo só será o que fizermos dele.



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COMENTÁRIOS

Jacqueline Oliveira (jacquelineoliveira38@hotmail.com)

Excelente texto.





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