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Violência na escola: falta de limites, de valores, de ética?

Publicado em 28/10/2010


Violência na escola: falta de limites, de valores, de ética?           

Da neurociência às práticas de desenvolvimento humano

Regina Migliori

 

Neurocientistas vêm identificando no cérebro humano, uma região destinada ao processamento de valores. Esta notícia revoluciona o entendimento sobre ética e moralidade. Esta pauta deixa de ser exclusivamente filosófica, política, pedagógica ou comportamental, e se amplia para incluir a dinâmica neurofisiológica. Estamos longe de solucionar os mistérios da relação cérebro/mente/consciência, mas saber um pouco mais pode auxiliar nos desafios da educação, da cultura de paz e da sustentabilidade. É uma revolução se iniciando.

 

Na parte frontal do cérebro, dispomos de neurônios dedicados a realizar sinapses com foco em aspectos éticos e morais. Estas sinapses compõem redes neurais, uma espécie de “avenidas” por onde transitam nossos pensamentos. Demonstrações por neuroimagem têm fornecido evidências sobre a dinâmica destas redes: um elenco de operações cognitivas tais como a flexibilidade, o planejamento cognitivo, e a auto-regulação dos processos mentais e comportamentais.Estas evidências reabrem o debate sobre a natureza humana: ficou difícil sustentar a afirmação de que não há um potencial ético natural. Passa-se a considerar a hipótese de uma inteligência ética, que reconhecida como potencial humano, pode ser desenvolvida.

 

Os lobos frontais são também responsáveis pelas formas mais elaboradas de comportamento, resultantes de metas impostas pelo próprio indivíduo, que dependem de planos e estratégias, que regulam idéias e ações por meio do diálogo interior, tais como decidir se deve esperar alguém por dez minutos ou ir embora e deixar um bilhete.

 

Descobriu-se que solicitações verbais externas são eficazes para dar início a estes comportamentos, mas não têm a mesma eficácia para interrompê-los ou redirecioná-los. Neste processo decisório, o diálogo interior é mais relevante do que a recomendação externa.

 

Esta evidência põe em cheque o tradicional poder atribuído a processos prioritariamente verbais. Para uma pessoa constituir sua ação, não basta receber instruções, explicações, e informações. É preciso que ela “acredite” que vale à pena agir daquela forma – e a construção desta decisão é o resultado de um complexo diálogo interior, agora mapeado pela neuroimagem e outros equipamentos de neurofeedback.

 

Diante dessas evidências, os educadores precisam rever as formas como vêm tentando estimular o compromisso em torno de causas, projetos e ações junto às pessoas com quem se relacionam.

 

Publicado nos anais do  21o CONGRESSO SINPEEM, outubro de 2010

 



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