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Somos seres com múltiplas dimensões

Publicado em 19/8/2008


Publicado no Portal dos Colaboradores/ Basf
Entrevista com Regina Migliori
 
Somos seres com múltiplas dimensões
Estamos conectados com o mundo e produzimos conhecimento o tempo todo. Mas apesar do progresso, ainda temos necessidades biológicas – de saciar a fome e ter abrigo, por exemplo. Também temos a necessidade de ser feliz, reconhecido, amar e ser amado. Afinal, como dar conta de tantas demandas? Nesta entrevista ao BASF notícias, Regina Migliori, consultora em Cultura de Paz da UNESCO e presidente do Instituto Migliori, aponta o caminho: “O desafio é integrar as nossas múltiplas dimensões.”
 
BN - O que são as múltiplas dimensões?
O ser humano é formado por um conjunto de dimensões: orgânica, biológica, mental, emocional, intelectual, cultural, social, planetária e espiritual. Nas últimas décadas, por exemplo, negligenciamos a nossa dimensão planetária e não nos demos conta dos impactos de nossas ações sobre o meio ambiente. Embora fosse real, a perspectiva planetária não era percebida. A novidade não é o que está acontecendo, mas a forma como a gente percebe que está acontecendo. Mudou a percepção do ser humano a respeito de si mesmo. Essas múltiplas dimensões sempre existiram, sempre praticamos todas elas, mas não percebíamos o que estava acontecendo e não nos sentíamos responsáveis pelos impactos provocados.
 
BN – Ficou mais complicado pensar?
Não ficou mais complicado. Ampliamos o nosso entendimento a respeito do que significa pensar. Tínhamos como base uma noção de pensar como sinônimo de raciocinar, de dimensão intelectual do pensamento. Pensar é uma atividade muito mais complexa. Inclui o imaginar, o sentir, as emoções, uma série de outros aspectos que não somente o intelectual, o racional.
 
BN - Tudo isso dá uma sensação de que as coisas ficaram mais difíceis?
Existe de fato essa sensação porque vivemos um período de profundas transformações. Estamos com um pé em cada canoa e é difícil o equilíbrio nessa situação. Vivemos e trabalhamos sob determinados modelos que ainda são dominantes, mas não são suficientes para lidar com os novos desafios. Por essa razão parece que a vida está mais complicada. Estamos construindo um novo modelo para lidar com esses desafios. E isso vale para as questões da sustentabilidade, da gestão empresarial, da educação, do desenvolvimento humano. Na verdade, ninguém sabe direito ainda como fazer isso. É um modelo a ser construído. Por isso é tão desafiador.
 
BN – As múltiplas dimensões mudam a nossa percepção do mundo?
Mudam o jeito de encarar o mundo para um patamar um pouco mais feliz, um pouco mais integrado.  Abrir espaço no mundo para aquilo que nós verdadeiramente somos é motivo de felicidade. O difícil é quando elegemos um único canal de manifestação. Aí nos sentimos sufocados, inibidos, bloqueados. Por exemplo, desejar que a dimensão intelectual, o raciocínio lógico, valide as expressões das demais dimensões. Você teve um sonho e ao acordar tem a sensação de que aquilo tem alguma significação. Aí vem a sua dimensão racional, diz que é bobagem, e aquilo é ignorado. O crivo da dimensão intelectual introduz um crítico interno que, embora seja útil e necessário, muitas vezes inibe outras possibilidades de processamento mental.  Daí a importância de reconduzir essa dimensão aos seus limites saudáveis. Isso se torna muito relevante no mundo empresarial porque toda relação de negócios envolve pessoas e suas múltiplas dimensões humanas: a satisfação do cliente, a contratação de um profissional, a gestão de equipes, a comunicação e as relações com todos os stakeholders.
 
BN – Afinal, como superar tantos desafios?
A questão é “ir além”, transcender. Estamos passando por um momento em que devemos “ir além” dos modelos que conhecemos de gestão, de relacionamento, de produção. O grande desafio é “ir além”, ultrapassar o modelo atual, criar novas metodologias e estratégias para lidamos com esse conjunto de desafios que envolve também um novo conjunto de responsabilidades pessoais e empresariais.


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COMENTÁRIOS

Giovanna C. Pereira (Giovannamatrix@hotmai.com)

Mais eu aida quero saber se nós somos da 1,2,3,4,5 ou da 6 dimençao.





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