Sugestão de fonte: Dia da Consciência Negra - Consultora de Paz da UNESCO, Regina Migliori, comenta a importância da data

19/11/2008 • Regina Migliori

São Paulo, novembro de 2008 - Em diversas cidades do Brasil, o dia 20 de novembro é bastante importante para a reflexão sobre o respeito e a diversidade da população brasileira. A celebração do Dia da Consciência Negra - na data, que em 1695 morria Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão - coloca em questionamento uma série de posturas da sociedade.
 
Regina Migliori, diretora do Instituto Migliori, enxerga esse dia ao mesmo tempo com otimismo e cuidado.
 
"A existência de uma data de celebração de consciência promove a oportunidade de reconhecer a importância da cultura africana na composição da identidade brasileira. Mas, ao mesmo tempo em que é uma data de celebração, é também um vestígio de preconceito, porque reforça a percepção do distanciamento entre brancos e negros. Uma celebração em sintonia com o século XXI não seria a de realçar as diferenças, e sim de reconhecer o que nos une como seres humanos, inteligentes, criativos, transformadores e benéficos - todos nós, sejamos brancos, negros, índios, amarelos, vermelhos, ou de qualquer outra cor. Unidade na diversidade, isso sim deveria ser comemorado. As diferenças são a matéria prima da harmonia ou do conflito - só depende da forma como nos relacionamos com ela."
 
Também consultora de Paz da UNESCO, Regina acredita que discussões com o foco na "unidade na diversidade" devem acontecer em todos os dias e nos diversos segmento da sociedade, escolas, empresas, associações e outros, para celebrar a Cultura de Paz "Vivemos em um país miscigenado, espelho do mundo globalizado de forma integrada. Devemos nos beneficiar dessa imensa diversidade étnico-cultural brasileira e estimular a Cultura de Paz no Brasil. Temos naturalmente esta vocação".
 
Regina Migliori é advogada, consultora de paz da UNESCO e diretora do Instituto Migliori, empresa de consultoria estratégica que visa despertar e aperfeiçoar a prática da identidade das pessoas, organizações e comunidades, gerando sinergia de esforço, consistência de impacto e compartilhamento de resultados benéficos. A consultora atua desde 1992 em projetos que congregam valores, ética, paz e sustentabilidade. Regina desenvolveu um método exclusivo de trabalho a partir de sua atuação empresarial da própria executiva e da sua experiência em diversos campos de conhecimento, tais como: educação, comunicação, relações humanas, valores universais e cultura de paz.
 
Cultura de Paz
Em 1999, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida associados à cultura de paz na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz. Por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), diversas instituições e profissionais em todo o mundo aderiram a esta declaração e se empenham na transmissão e concretização destes ideais.
 
Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados:
. No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação;
. No pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos que são, essencialmente, de jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional;
. No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais;
. No compromisso com a solução pacífica dos conflitos;
. Nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-ambiente para as gerações presentes e futuras;
. No respeito e promoção do direito ao desenvolvimento;
. No respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens;
. No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação;
. Na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações; e animados por uma atmosfera nacional e internacional que favoreça a paz.
(Fonte: ONU, 2004)
 



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