Afetivo, autoritário ou permissivo: qual a melhor relação com os filhos?

15/07/2019 • Regina Migliori

O termo parentalidade se refere aos cuidados e interações entre pais e filhos, nas diferentes configurações familiares. As transformações na sociedade e as formas de família, muitas delas inéditas até bem pouco tempo, desafiam antigas noções, e exigem uma necessária atualização.

Ser pai ou mãe vai muito além da função biológica. É uma condição marcada pelo contexto sociocultural, pela história das pessoas, pela experiência na própria família, pela subjetividade de cada um, e pela disposição de aprender e se transformar a cada instante.

A chegada de um bebê, e a relação entre pais, mães, filhos e filhas, põe em movimento ideais, medos, lembranças, modelos paternos e maternos, expectativas acerca do futuro, emoções, sentimentos, desafios, em uma complexa rede de vidas que se entrelaçam.

A parentalidade é uma intensa experiência de interdependência, que exige a permanente reorganização e atualização de cada um dos envolvidos.  

Mas, independente do modelo familiar, seja ele tradicional ou novo, há alguns aspectos que resultam em uma importante contribuição para o bem estar e a saúde dos filhos.

Um recente estudo sobre parentalidade positiva, conduzido pelo Prof. Tyler Wanderweele, da Universidade de Harvard, publicado na Nature Human Behaviour, avaliou o impacto do estilo parental, ou seja, o modo que os pais criam os filhos, sobre a saúde e bem estar dos filhos. Foram milhares de jovens seguidos por até 16 anos, e

As conclusões do estudo indicam que o estilo parental mais saudável é o competente, que mescla afetividade e autoridade dos pais com os filhos. É melhor que os estilos autoritário (autoridade sem afeto), permissivo (afeto sem autoridade) ou negligente (sem os dois).

O estilo parental competente promove nos filhos, uma melhor expressão das emoções, menos obesidade, depressão, ansiedade, tabagismo, transtornos alimentares, uso de drogas e DST.

Uma recomendação simples, como ter pelo menos uma refeição em família por dia, resulta em filhos com melhor satisfação com a vida, autoestima, capacidade de perdoar, com menor índice de depressão, episódios de embriaguez, uso de drogas, gravidez na adolescência, iniciação sexual precoce e DST.

O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio, sem cair nos extremos, pois a parentalidade positiva se compõe de uma boa dose de amor, combinada com autoridade na medida certa.




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